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E senti;

Eu olhei o céu e senti a bruma do inverno apoderando-se do brilho intenso do pôr-do-sol dando boas-vindas à noite. O tom azul e límpido do céu da Capital banhado por cores de Almodóvar. E a leve brisa tocando-me a pele do rosto fazia-me ficar com nariz e bochechas enrubescidas e ressequidas pelo frio.

Entre as pedras e o farfalhar das árvores da colina todas as tardes buscava a calmaria para que, logo mais a noite, as tristezas não me sucumbisse com toda a voracidade. Era necessário ao menos minutos para lembrar-me de quem eu era antes de você... Quem sabe assim voltava a aprender a viver sem você. A plenitude que tal ambiente me proporcionava era incomparável.

No começo, deixava que as lágrimas pronunciassem meu desespero só para achar meu ponto de equilíbrio – um momento somente meu entre o rancor e amor, brigas internas – as quais aos poucos perderam a força. Como se fosse um reencontro entre corpo e alma, ou quiçá transcendia ao desconhecido.

E naquela última tarde, permiti-me a despedida – entre o velho e o novo eu. Eu olhei o céu e senti...

Pauta para um novo projeto: In Verbis. Escrevi, porque estava bem sem ideias para postar algo e ontem estava olhando o céu de Brasília não há palavras para descrevê-lo. E, logo mais, continuo com o conto. E conheçam o Palavras Mil, quem não conhece.
Beijo pra quem é de beijo.

O que tiver que ser será;

O primeiro item guardado na mala foi como abrir um álbum de fotos. Eu ainda inalava o perfume que ele deixara pairando no ar ao se arrumar para o trabalho. Sorrateiramente as lágrimas caem tocando o chão, enquanto eu dobro e guardo peça por peça e deixo que as lembranças levem-me aonde queiram ir.

Viverei sem ele. Mas não tenho mais motivos para permanecer aqui. Nossos olhares antes cúmplices, agora são enfadonhos, fartos um do outro. As declarações e palavras de afeto foram vãs, pois a cada frase dita o julgo, a cada julgamento impensado transforma-se em uma briga. Não conseguimos mais andar de mãos dadas, rapidamente elas se desvencilham, ocupando-se de qualquer coisa, mas que não seja o toque mútuo.

E quantas brigas terminaram em sexo? Eu parei de contar. Porque até isso caiu em desuso. Lembro-me da nossa primeira discussão... Duas horas depois trocamos pedidos de desculpas e com beijos fervorosos levou-me para a cama, e provamos da raiva um do outro até destilarmos todo o mal, intensamente nossos corpos entrelaçados penderam para o lado e respiramos profundamente o ar leve – transamos como se fosse à primeira vez.

Agora não me parece mais cômodo receber o beijo na testa mesmo corada de rubro de nervosa ao seu pedido de perdão. Compaixão, agora a tenho por mim. Por isso, vou partir...

É tão dificil entender
Que eu já não vejo em você
Aquele alguém que eu conheci
E me apaixonei
Já não consigo suportar
Você querendo me tocar
O meu desejo, a sua voz
O que aconteceu?

Marjorie Estiano - O Que Tiver Que Ser Será


P.S.: Eles também postam.
Beijo pra quem é de beijo!

Há explicação?

Expostas: minhas palavras, tuas feridas. Tatuadas sobre a tua pele, apenas lembranças; sob a mesma sangra – latejante dor que não se esvai e impossível de apagar-se. A tua nova amada agoniza por não conseguir esconder meus versos com os dela, que nem a ela pertencem. Estupidez. Não esperei teu adeus e agora tu sustentas tuas fantasias de que será como outras tantas vezes... Que voltarei.

Não me preocupa a despedida não recíproca, mas o amor escancarado que ainda exprimes e os meus versos à mostra para todos, há explicação? Pois tudo permanece intacto como havia entregado a ti. Se não fossem minhas tentativas de esfregar a carne ensangüentada não saberia do teu paradeiro: encontrei-te incompleto por não ter-me. Mesmo com teu discurso falso e impróprio de “ela valoriza-me”. Espero que cures e tu vivas – e se com um leve vazio ficar e resolver me espiar saiba que teu pedaço sou eu.

Às vezes, confusa fico e por querer-te demasiado, pesadamente a verdade sempre me toma. E do meu seio, o coração quero arrancar e para todo o fim, ou seja, lá, para ter o meu fim quero sentir de vez a dor cessar.

P.S.: E como é admitir que fuçou a vilha alheia e ver com os próprios olhos que palavras ditas no "ápice do amor" não foram apagadas, justo num local onde todos podem ver?! Confuso. Estranho. Eu queria saber, se é que me entendem. Para mim era quase, só quase, águas passadas... E agora isso. Ninguém merece. Não mesmo. Somente um desabafo, hoje. Se não é amor, é loucura, é fixação. :S
Beijo pra quem é de beijo!

Vai-se;

Vai-se, e o corpo entorpece,
Ao tocar da brisa, acalma
O fogo, a desilusão, a alma.

Vai-se, o que não me enaltece,
Pôs-se fraco, agourento,
Foi-se devasso como vento.

Vai-se em fúria
Para onde a mão não te segura
E a plenitude seja pura.

Põe-te em silêncio
Sinta tuas garras, perfurando-te,
Arranhando-te,
Seja tua própria luta.

Vai-se;
E deixa-me!
*P.S.: Estou tentando melhorar nessas coisa de poema, não me prender a métrica ou rima, mas quase sempre sai assim, espero que gostem.
Beijo pra quem é de beijo!