
Durante o percurso até a casa todos permaneceram em um silêncio fúnebre. E ao chegarem parecia que tudo ia desmoronar. Emanuel ordenou que as três se dirigissem à sala. Então, cada um pôs-se numa das poltronas bem distantes encarando-se uma a outra. Naquele momento até Léa temia ser culpada. E logo o chefe da casa iniciara seu discurso, ou talvez, uma palestra de boas maneiras e responsabilidade. Aimée ouviu indiferente, pois todo aquele sapo não era direcionado a ela e, sim, à Olga. Enquanto ele enrubescia de ódio, profanava que ambas não foram criadas para atingir tal ponto de imbecilidade e se o evento se repetisse Olga teria que voltar a morar com nossos avós paternos no interior de Minas Gerais, lugar cujo ela detestava por motivos desconhecidos. Afinal, apesar de serem do interior, a pequena cidade já era bem movimentada e estava a par das modernidades, portanto ela não ficaria perdida no tempo.
Olga em nenhum segundo tentou se defender. Manteve-se calada com um sorriso irônico nos lábios. Aimée evitou olhá-la a todo o custo, porque ela sim queria delatar a irmã, mas não precisava disso agora. Esperaria que tudo se acalmasse, a mente maquinava como conseguiria atacá-la. E sabia que aquela seria apenas mais uma conversa vã do pai para com ela. Olga repetiria o feito alcançando níveis mais altos era assim que sempre acontecia. Contudo, ela não possuía mais a ajuda de Mabelle – outra a qual teria que passar por um interrogatório, mas não de seu pai e sim de Olga - o instinto de vingança dela era apurado e só naquele instante Aimée percebeu que havia metido Mabelle também numa enrascada.
Quando todas foram dispensadas, cada um foi para o seu quarto. E Aimée percebeu que o batalhão de empregadas já havia tratado de arrumar a bagunça da noite anterior. Uma pena, porque seria um castigo e tanto se Olga fosse obrigada a ajeitar a casa toda. Quem sabe ela até não convidaria os amiguinhos para participarem da faxina... Aimée até riu jocosamente, mas outra vez conteve-se. Aquilo não chegaria aos pés do que ela realmente queria para a irmã. E quando começava a pensar como arrancar algo de mais podre e fétido do passado e da vida mesquinha dela, a porta de seu quarto abriu com violência e Olga adentrou e ameaçou-a:
- Se você pensa que vai sair ilesa dessa história, você está muito, mas muito enganada, irmãzinha.
Ela parecia querer chorar, pois a voz estava embargada e os lábios tremiam, enquanto ela tentava terminar a frase. E Aimée só teve tempo de responder:
- Você até pode ser do meu sangue, Olga. Mas jamais, escuta bem: ja-mais deixarei que você faça o que quiser comigo e com a minha vida.
Foram as últimas palavras trocadas entre as duas.
Pelo decorrer do dia, Aimée não sentiu fome nem frio, sequer vontade de viver. Amuo-se escondida em seu quarto passando a observar tudo o que era seu até lembrar-se de seus rascunhos e desenhos. Olhando um a um, todos pareciam sem sentido – diferente deles sua vida agora estava sem cor. Os traços e a cada detalhe meticulosamente feitos remetiam-lhe a um passado distante, onde sua mente perdia-se em outros mundos e pela ponta do lápis ganhavam vida; e sua vida era aquela a do lápis e borracha. Aliás, nem todos os desenhos estavam perfeitos, alguns possuíam marcas cinza bem clarinhas de algum erro. E a vida real agora é que não podia ser apagada, tampouco refeita. Seria a cicatriz que ela iria carregar para o resto da vida... E isso a fez chorar mais para si. Não fazia mais sentido tracejar, afinal não era mais uma menininha, pois fora obrigada a virar mulher pelas circunstâncias.
E naquela noite aconteceu... De ela juntar todo o seu passado e jogar ao nada como se fosse suficiente para esquecer-se da felicidade em que sentia quando os fazia. Sabendo que estava sendo observada apenas fez o que queria no pátio aberto do colégio, e partiu para no dia seguinte acordar cheia de pesar por desfazer-se deles e voltar ao local para procurá-los rezando baixinho para que todos ainda estivessem em ótimas condições para guardá-los.
É isso: voltei e devagar e sempre. rs Não vou me prolongar, mas perceberam layout novo? (: Sei que sou amadora nisso, mas me baseie principalmente nas cores de outros blogs que eu gostei, oks? Sobre a Saga, alguém aí quer que eu mate todo mundo e acabe logo? Deem sua opinião sincera, porque está longe de acabar, viu. Obrigada todos pela paciência e Tati minha trenzinha e xuxuzinha pelas homenagens e textos e, principalmente, pela amizade! Clicando sobre a imagem veja os capítulos anteriores.
Beijo pra quem é de beijo.