(+18) Das fragilidades;



Ele dizia que não era afeito a afetos, mas não conseguia se desfazer dos efeitos que ela tinha sobre ele. Um monossilábico "oi", uma tocadela de bochechas e um enlace desajeitado como cumprimento eram suficientes para lhe bagunçar. Torturar, talvez. 

No começo, era como se o espaço fosse apertado demais para que ambos estivessem ali. O incômodo se estendia e se tornava cada vez mais palpável. Mas, com o tempo, ele havia aprendido o bastante para omitir qualquer vulnerabilidade a sua presença. E das últimas vezes que a viu, a descrição de Capitu não lhe saía da cabeça.

"Olhos de cigana oblíqua e dissimulada." Porra, Assis! 

Ele não poderia lhe negar a definição. Entre distâncias e meneios, aquele par de olhos continuavam a lhe vigiar. Atentos. Cobiçosos. Ou, de alguma forma, era ele quem buscava espioná-la? Aturdido, ele não sabia. Porém, os olhares sempre se cruzavam, o que causava a ele um revés de ideias, palpitações e sensações. 

Ele queria evitá-la. Nada de conversas atravessadas nem de toques desnecessários. Quanto menos, melhor, pensava. Só pensava, porque nesse momento alguém sempre chegava perto dele e dizia algo sobre ela. Assim, como quem tivesse adivinhado do embaraço que ela provocava ao olhá-lo. Nessas horas, ele torcia para que as palavras não se embaralhassem e que nenhum comentário soasse mordaz. 

Ele queria não repará-la, sobretudo, não desejá-la para não se entregar.

Às vezes, as vestes justas dela desenhavam curvas que ele já havia apertado por demais. E o desejo furtivo acabava marcando suas próprias calças por tamanha imaginação. Naquela noite, em especial, as alças finas do vestido dela sustentavam sôfregas aqueles seios fartos. O bustier prensava um no outro e quem chegasse mais perto, poderia se deliciar com uma das melhores partes dela. 

E descobrir isso de um jeito tão sortido, o fez querê-la mais e repetidas vezes. Ninguém imaginava, mas ela tinha uma infinidade de paradoxos de sentir e se mostrar. 

***
De algum modo, toda vez que ela colocava um decote, se lembrava dele. Porque tinha sido com ele que ela havia descoberto tanta sensibilidade num dos lugares mais inexplorados do seu corpo. 

Quando eles ficaram pela primeira vez, foi química certa. As mãos gélidas de segurarem copos, repentinamente, tinham se aquecido com a fricção do toque mútuo. E os lábios famintos percorriam justo pelos pontos vazios um do outro. Entre um arfar e um beijo, a pele alva dela era marcada, ganhando um novo tom. 

Ele mordiscava e chupava delicadamente o pescoço dela, lhe arrancando tímidos gemidos, e com extrema mansidão levava a boca e o rosto de encontro ao colo dela. Como eram convidativas aquelas tetas. Por alguns instantes, antes mesmo de segurá-las, como quem exalava o perfume daquela região, ele se deteve a esfregar com fascínio a face nelas. Para depois, agarrá-las com as mãos cheias de tesão, unindo-as ao máximo.

Pela ausência de sutiã, os mamilos se revelavam tentadores pelo tecido do vestido. O que tornava a brincadeira ainda mais instigante. Após alternar arrochos e roçadas, ele a beijou na boca e foi afastando uma das alças, fazendo com que um dos seios se desvelasse. Suspenso ainda pela compressão da roupa, ele se exibia com uma aréola grande num tom clarinho e semi protuberante. Como ele queria colocá-lo em sua boca... "Se eu te machucar, avisa, tá?", foi o que ele conseguiu balbuciar. E com um movimento positivo de cabeça, ela deu seu aval. 

Posta sobre seu colo, ele começou a beijar o vão entre os seios dela, enquanto espremia com os dedos o exposto com suavidade. Dali em diante, foi o aproximar de sua língua ao mamilo que expôs toda a fragilidade dela. O bico se retesou como um pequeno pingente e ela se tremelicou como se tivesse recebido de sobressalto um eletrochoque. 

Sedento de vontade, ele passou a lamber o mamilo, a lhe dar mordiscas, a abocanhar e a sugar  com extrema perdição por aquele momento. Enquanto ela gemia e puxava uma vez ou outra, fazendo com que ele diminuísse o ritmo das chupadas, mas se recusando a pedir a ele que parasse. 

Para igualar a sensação, ele despiu o outro seio e pôs-se a fazer o mesmo com semelhante rendição. De um jeito curioso, ele parava algumas vezes para admirá-la e percebia que ela cerrava os olhos e se comprimia ainda mais remexendo o quadril sobre seu membro. 

Ele não se lembrava dos pormenores das cenas seguintes durante essa primeira vez. Se ela mesma havia tirado a própria calcinha ou ele; se ela quem pôs seu pau para fora da calça ou ele... Mas ele se recordava da sensação do cacete dele invadindo profundamente a buceta dela e ela segurando as mãos dele sobre os seios dela entre os vai-e-vens do seu momento amazona. Além das outras vezes em que ela pediu para ele esfregar a cabeça do pau sobre seus mamilos e de lhe ordenar que gozasse sobre seus seios. 

Aquele olhar dela era de menina matreira, porque ela sempre o olhava assim quando pedia essas coisas... 

0 comentários:

Postar um comentário