(+18) Abrigo;

♪ Elliot Moss - Slip 

E coube a ela saber: será que cabia um pouco de si dentro dele? 

Tão despida, ela já havia dado tanto de si que a ideia de pertencer a ele era doída. Ela não sabia e, por isso, a pergunta ia e vinha em momentos aleatórios ao longo do dia, só para fazê-la esconder-se dos próprios ensejos. 

Ela queria que existisse um derradeiro sim. Queria como ele, tantas vezes, coube nela. Assim quando ela fora abrigo para o corpo dele. Como agora, que era morada das sensações que ele provocava em si. 

Quisera ela que a memória lhe falhasse, mas, a maldita não arredava. A pressão do seu selo e o gosto dele ainda lhe molhavam a boca. A mordisca parecia recém sentida nos lábios. E dos sons que ela escutava, o melhor vinha dele. Ela se recordava ao ouvir do sopro gutural dele lhe invadir como adrenalina. 

O trajeto do seu querer ela já conhecia. De olhos semicerrados, conduzia a boca a um de seus lugares favoritos... Ali, onde parte do perfume dele exalava e ela tinha paixão em beijá-lo. Língua, tez e vontade já eram sinônimo de. O roçar dos rostos e a carícia entre mãos ora espalmadas sutis, ora cheias de vil vontade lhe tomavam afoitos por cima ou sob as vestes. 

E, bem aqui, havia a pausa. Aquela extensa pausa em que a razão se alarde e, sob ofegos, eles se recompunham. Contudo, o corpo falava e eles tampouco ignoravam. 

Num torpor inquietante, ele a conduzia e, num ritmar próprio, ela sabia quando chegar lá. E chegava... Enquanto os beijos se tornavam vorazes e os apertos mais sedentos, com a mão cobiçosa, se fartava do que tanto queria e se demorava em redescobri-lo. 

O membro que já estava teso, naquela instigação acabava por se excitar mais e ela não se continha. Queria senti-lo. Tê-lo. 

O sabor na boca. 

O sal da pele. 

A pele na pele. 

Cada movimento cadenciado cravado nela, ela queria mais. E, a partir daqui, ela já não notava, mas era ela quem o apoderava. Encaixada sobre seus quadris, ela transpunha todo seu peso contra o dele e sentia-o golpeá-la fundo em prolongados vai-e-vens. Enquanto ele lhe fincava as mãos em sua bunda e abafava-lhe os lábios entre um gemido e outro. 

Tão absortos um ao outro. Naquela dança, os corpos deles se correspondiam a qualquer meneio - da mansidão à vigorosidade. 

À entrega dela, ela era abrigo. Assim como da primeira lambida à última estocada que lhe entranhavam o desejo de ser dele. 

0 comentários:

Postar um comentário