Verborragia crônica

Vivemos em tempos de verborragia crônica. Patologia essa que acomete boa parte da população que ganhou acesso às redes sociais. Quem não percebeu que todos têm muito a dizer, mas poucos sabem realmente o que escrever? É um período sombrio, diriam meus avós se acompanhassem as publicações através dessas mídias. 

As pessoas se digladiam, se ofendem e se odeiam à distância mesmo, que é para manter a integridade física. E daí que me questiono: que integridade, meu caro? Enquanto seu corpo está protegido por uma tela de computador, a individualidade e a moral do outro estão sendo depreciadas a troco de muitos likes e mais comentários em apoio ao seu ato injurioso. 

Por essas e outras atitudes é que, só por hoje, eu queria que ninguém quisesse saber mais do que o outro. As informações e os livros estão aí para serem lidos e interpretados. Se esse espaço é tão democrático e abarca tantas opiniões, então que aprendamos a respeitar o outro com todas as suas limitações e particularidades. Um debate não precisa de conclusão, mas de explicações e mensurações. 

Só por hoje, os indivíduos poderiam enxergar a si mesmas e todos os seus defeitos, antes de julgar “a torto e a direito”. Aplicando a máxima de Mahatma Gandhi: “Divergência de opinião jamais deve ser motivo para hostilidade”. Já que é difícil manter-se afastado desse meio infeccioso, que possamos nos curar a doses diárias com aceitação e empatia perante o que o outro fala e expõe por aí. 

Na melhor das hipóteses, “o silêncio é a única resposta que podemos dar aos tolos”.
Crônica escrita para Webjornalismo, baseado do texto "Só por hoje" de Celso Vicenzi. 

0 comentários:

Postar um comentário