O futuro do jornalismo


Apura, coleta, redige e edita... A notícia não está redonda. O deadline está correndo e a fonte não responde. Na hora do fechamento, o editor mandou que alguém vá para o ministério, porque o ministro vai se afastar. 

No final da coletiva, a matéria quentíssima virou nota. E aquela outra pauta caiu. Bufei e xinguei - o editor, o ministro e a fonte -, só não joguei meu bloquinho de notas no chão porque era meu smartphone

Maldito jornalismo! Estaria, então, enganado Gabriel García Márquez ao dizer que era essa mesma a melhor profissão do mundo? Ledo engano. Mas não o critico, afinal tudo isso faz parte. Em várias linhas ele já me (nos) dizia dos apuros e percalços do fazer jornalismo, mas de uma forma tão apaixonante que me deixei convencer. 

E agora aqui estou: apuro, coleto, redijo e edito como quem fareja histórias factíveis e, só respira aliviada, ao sinal da última linha publicada e do primeiro exemplar impresso. Aí começa tudo outra vez, ainda que a adrenalina de ser jornalista tenha seu custo. 

Custa os finas de semana, os feriados e as reuniões em família. A briga por uma garantia de bom salário e aquela saudável discussão política entre as editorias. Vale, sobretudo, quando me perguntam "e aí pra que ter diplomar pra ser jornalista?", ou ainda "o jornalismo vai sobreviver às mídias?". 

Passadas as resistências iniciais, a gente sobreviveu às mudanças do jornal, da revista, do rádio e da televisão. Por que hoje seria diferente com a internet? Se o desafio é ter vocação para a comunicação que o vocacionado esteja preparado também para a reinvenção. Principalmente, para lidar com seus públicos cada vez mais expostos às informações e dispostos à interação. 

Os meios de comunicação aprenderam a coexistir e continuarão achando brechas para conviverem entre si. Assim como é perceptível que as academias nunca estiveram tão cheias por estudantes ávidos em descobrir o fascínio de produzir notícias. Porque não importa quantos "escritores de textões" de internet exista, o único textão ainda validado será aquele publicado pelas mãos de um jornalista. 

A arte de filtrar relatos, investigar e condensar os fatos e escrever de maneira compreensível é para poucos. Algo que, infelizmente, a fugacidade da redes sociais e de outras plataformas digitais ainda terão que trabalhar para não transformar seus leitores em preguiçosos iletrados-funcionais. 

É, meu caros, é preciso ter paixão pela profissão. Como equilibrista que mantém a esperança, espero o futuro deste ofício numa corda bamba sem fim. 
Crônica escrita para trabalho acadêmico de Webjornalismo. 

2 comentários:

  1. "A arte de filtrar relatos, investigar e condensar os fatos e escrever de maneira compreensível é para poucos. Algo que, infelizmente, a fugacidade da redes sociais e de outras plataformas digitais ainda terão que trabalhar para não transformar seus leitores em preguiçosos iletrados-funcionais. " Acho que no fim das contas esse vai ser nosso grande desafio. Tentar manter essa essência em tempos de jornalismo fugaz. Gostei da sua narrativa Bábara, parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Babs, a mesma razão que nos faz gostar do jornalismo hard news é a que nos faz desgostar. Ao mesmo tempo em que adoramos essa correria, tem momentos que nos deixam de saco cheio, mas aí no dia seguinte começa tudo de novo. Não creio na morte do hard news, do jornal impresso, até porque eu sempre vou confiar mais no impresso do que no online, assim como sempre vou me interessar mais por um livro físico do que um digital. Descobri que não sirvo pro hard news, o que me fez admirar ainda mais que o faz, mas ao mesmo tempo ainda não descobri qual a área que quero seguir. Dizem que a internet nos traz mil e uma possibilidades, mas eu realmente não tenho ânimo pra elas, me parecem distantes demais em todos os sentidos - e olha que uma das melhores coisas da minha vida foi me tornar blogueira, preciso de algo mais seguro, algo físico, contato físico com pessoas, com o trabalho. Não sei qual será o meu destino no jornalismo, mas certamente haverá um porque, sim, o jornalismo não vai acabar. Ele deve se metamorfosear, mas não acaba.

    ResponderExcluir